12 de maio de 2020

A folha e eu, texto de Maria Montillarez


A folha e eu

       Tempos estes! Tudo que dizemos pode se virar contra nós em mecanismos de redes sociais. É a agonia da coisa dita. A agonia de se viver as palavras que se encadeiam, sem antes filosofar os prós e
os contras delas; verificar se sobrevivem e como possam sobreviver aos crivos mais diversos. Tal qual a Bíblia, pra correr menos risco de afetar o inimaginável, é preciso ser genérico. E se o pensamento for se expandindo em generalidades vai acabar virando antibiótico mental. O escritor desde sempre é martelado pelo que disse ou deixou de dizer, e num desvão ainda cabe o que estaria em certas entrelinhas, um sutil “buraco de minhoca”. Diga, da mais rebuscada à simples frase; escreva um verso. Não há de escapar à malha. Sujeita a toda sorte de subjetividades interpretativas, de uma delas suplico isenção. Aquela em que me tomem por saudosista. Nem vá manipular disso uma crítica a quem o seja. Todos são aquilo que são, não ouso criticar. Apenas eu não sou alguém que se apega à saudade e vai-se deixando invadir por ela de modo a todo o presente se desfazer no ontem, no anteontem, dia desses, ano passado... Fixei-me no hoje, especialmente no agora, neste segundo. Opa!, e a próxima fração de tempo já me resgata e me põe a galope dentro do futuro. Abro os braços e me deixo levar pelo frescor da cavalgada. Nesse espaço eu me deleito em uma tranquilidade sem dívidas. Não há nada a reclamar ou reparar. Dei o melhor de mim. Nalgum momento posso ter sido medíocre. Desagradei até a mim mesma. Ficou isso por aquilo e nada mais restou a cerzir.
Contudo, nos entrementes da vida, vejo que há na árvore uma folha que se amarelou e negou-se a cair. Fica ali, chamando a minha atenção. Ela deve à árvore ou a árvore deve a ela? Essa pergunta tirou-me de meu habitual estado de agora. Aquela folha que não quis cair, transformou-se, rapidamente, em uma lembrança dentro de mim que também se fixou. O calendário marca segunda-feira. Havia muitas segundas-feiras que eu avistava aquela folha teimosa, meio amarelada, como a maioria dos materiais sujeitos ao tempo. Até nossa pele, vejo eu, ganha tom desbotado. Ali estava a folha, que por algum motivo não caía. Havia chovido muito ultimamente, e ventado. Ela permanecera presa. Eu pensei que se eu tocasse nela, com um mínimo de esforço, desgarrá-la-ia de sua insistência prejudicial à árvore. Pensei que se ela não desocupasse espaço, outra folha viçosa estaria impedida de nascer. Felizmente não ocorre assim com seres humanos. Nascemos despreocupados de se há ou não espaço. Deve ser por isso que acabamos nos amontoando em espaços exíguos e nos enfileirando em eterno reclamar dos senãos de nossa absoluta falta de ser árvore. Tem ali, no mundo árvore, alguma espécie de planejamento, e tudo que não é mais digno e salutar para a árvore vai descendo ao chão, viajando pelo ar, rebrotando ou adubando. Tudo no mundo árvore possui destino claro. O mundo humano tem mais imprevisibilidades do que toda a população árvore do mundo da história das árvores. Impossível ponderar o humano. Em demasiada presunção, cogitei que o planejamento daquela folha era o de me atingir, enquanto organismo individualista que me tornei, incapaz do coletivo, este entrelaçado ao anteontem, às segundas-feiras que invariavelmente me chegavam cartas suas. Desde o Norte ao Centro-Oeste as cartas demoravam pontualmente sete dias para chegarem às minhas mãos. Com brevidade eu as respondia, e eram outros sete dias de viagem até as suas mãos. Construímos, de cada lado, grande chumaço de relatos de felicidades e de angústias divididas. Compartilhamos nossos sonhos e nossos medos. Com o passar do tempo ¾ estar presa no presente é trauma? ¾ as cartas de ambos os lados rarearam. E as redes sociais chegaram para extingui-las. E sepultamo-las de vez, na agonia das coisas ditas. Na agonia de se viver cada palavra que se encadeava de supetão, naquela simplicidade da crença de nenhum mal-entendido e filosofias rasas. A filosofia vem de pensamentos profundos, remoídos, revisitados, tão depurados que nada cause de impacto ao coração. A filosofia pode ser um concerto para a alma, mas entregar sua verdade a alguém é um concerto para o coração. O instante em que a coisa dita se torna a agonia de ter de ser explicada, pois em si mesma tornou-se insuficiente ou demasiada; se, por seu turno, necessita de medidas para sobreviver ao crivo, tal qual a Bíblia, o antibiótico de amplo espectro, a fim de correr menos risco de afetar o inimaginável, e ser martelado pelo que disse ou deixou de dizer, e, num desvão, ainda cabendo o que estaria em supostas entrelinhas, um sutil “buraco de minhoca”... A folha da árvore, de repente, despencou. Foi como um click. As cartas haviam parado e as redes sociais invadido o mundo, asfixiando a ternura de enviar cartas, frustrando a espera pela resposta delas, que jamais, jamais outra vez chegariam. As redes sociais invadiram o mundo, e é importante não ser saudosista, porque ser saudosista é admitir-se folha amarelada. Melhor se recompor no agora.

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11 de novembro de 2019

5 de novembro de 2019

Lygia, texto da escritora Maria Montillarez

Lygia,

Em 1974 eu e minha família vivíamos em um lugar inóspito, o exato oposto do nordeste onde nasci: úmido, quentíssimo, muitos mosquitos, malária, febre amarela, lama, mata fechada e índios. Era a Transamazônica em toda sua bruteza.
Eu, que há pouco brincava de rodas, às vezes, em volta da fogueira nas noites enluaradas de São João, jamais imaginara tamanho pesadelo. Agora, nenhuma fogueira iluminava aquele lugar detestável; eu perdia minhas raízes. Meus irmãos se moldaram de pecuaristas e fruticultores que eram, em caçadores. Comíamos carne quando eles matavam um bicho na mata, e conhecemos os sabores do norte do país.
Aos 13 anos conheci a literatura de Lygia Fagundes Telles. As meninas me cativaram, e preciso falar de como esse romance mudou meu curso. Li-o várias vezes, pra poder entendê-lo. Não por culpa do livro, mas de minha leitura deficiente. Até ali, meu histórico vinha sendo infiel à minha escolaridade. Mas queria tanto entender aquelas três meninas!... E como era que a cidade inteira, do livro de Lião, cheirava a pêssego? Eu nunca tinha visto um pêssego na vida! Como se pareceria o cheiro de pêssego? Mesmo que fosse exagero, poderia o cheiro de pêssego ser tão forte a ponto de fazer uma cidade inteira ficar perfumada? O que era pêssego, meu Deus?
Era um questionamento simples, mas para quem jamais questionara coisa alguma, aquela era uma questão que eu precisava solucionar. A cidade seria pequena, tão pequena quê?... Ou os pêssegos seriam enormes, ou tantos?... 
Aquilo me fervilhava à mente. Perguntei a uma professora como uma cidade inteira poderia cheirar a pêssego, que, embora Lorena achasse ser exagero de Lião, a própria Lião tanto sentira o cheiro que escrevera a respeito. Ou Lião apenas imaginara que a cidade inteira cheirava a pêssego? Eu queria saber se minha professora já tinha visto um pêssego. E como era um pêssego?
A professora me disse que depois me responderia. Passou a fugir de mim.
Hoje, acredito que, como vivíamos na mesma região, era compreensível que ela também não fizesse ideia do que fosse um pêssego. Estávamos em 1983, sem Google, a quilômetros de uma biblioteca que tivesse enciclopédia... Enfim, encontrar a gravura de um pêssego pra me mostrar, seria..., usando as palavras da personagem Lorena: exorbitar demais. Quase ninguém ali possuía TV, as que existiam, eram em preto e branco. Além disso, por que alguém comentaria sobre cheiro de pêssegos, na TV?
Nessa época tudo que fosse bom era proibido. Vivíamos em plena ditadura militar. Ah, mas eu adorava muitas outras partes do livro, que decorei, como aquela de "beber água de coco e mijar no mar". Água de coco, eu conhecia muito bem, também a sensação de mijar no rio, lagoa que fosse... O livro me arrancava do mundo real insuportável, e me levava às possibilidades mais incríveis. Aquele livro era para mim! Eu era Lião revolucionária, Lorena virgem, Ana Turva miserável. Mas eu era, sobretudo, a receptora das mensagens implícitas e explícitas na história de cada uma das meninas de Lygia; das causas e consequências das ações de cada uma delas. Dali, eu tirei o ensinamento de dever sempre buscar o equilíbrio. Lygia Fagundes Telles falava comigo, pois minha mãe que me pariu estava longe demais da minha vida e alma. Lygia havia me captado, me adotado e me aconselhava, aconchegava, aconsegurava naquelas páginas. No dia em que nasci, morri. No dia em que abri aquele livro, renasci. Lygia soprou, com sua literatura, uma nova vida em meu cérebro. 
E um dia eu disse isso à Lygia, via e-mail. Ela, aos 94 anos. Eu, já com 13 livros editados e ocupando a cadeira número 7 de uma Academia de Letras em Brasília. Lygia me respondeu, por e-mail, e me enviou a mais recente edição do livro “As meninas”, aquele que movera meu mundo. No autógrafo, Lygia me chama de irmã, e isso por si só valeu minha vida.

Escrever é adotar pessoas.
(Maria Montillarez)

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24 de outubro de 2019

Pescaria de traíras no rio Carinhanha, trecho do livro Pescador de Histórias, de Rogério Corrêa

Pescaria de traíras no rio Carinhanha

Um pescador conhecia uma fazenda no rio Carinhanha que fica na divisa de Minas Gerais com a Bahia e possui quase 6 mil alqueires de terras arenosas, quase toda improdutiva. O proprietário era um homem que morava sul e passava anos sem ir à localidade, pois tinha somente uma sede simples e algumas criações que o caseiro tomava conta.
Esse pescador insistiu com cinco amigos dele, dizendo que naquele rio tinha muitos peixes e que não precisavam levar a canoa, pois ela estava guardada lá. Esses amigos moram em Brasília e resolveram fazer a tal pescaria.
Em uma quinta-feira santa, por volta das 7 horas da noite, saíram de viagem em dois carros, e um deles era um veículo Pampa, que levava o motor, algumas caixas com bastante gelo, muitas caixas de cerveja, e as outras coisas foram em um carro de passeio
Essa fazenda não é muito longe do Distrito Federal, porém, o problema era o difícil acesso. Ao chegar em Minas Gerais não andaram muito e iniciaram o trajeto por estrada de chão. Andaram uns 80 quilômetros em uma região em que a vegetação foi mudando pouco a pouco, por ser bem árida e arenosa. Entraram em uma estrada secundária e seguiram viagem. Algum tempo depois, quem conhecia o lugar, afirmou que estava perto.
O problema começou logo após ele falar aquilo!   Realmente estava perto, porém, por ter muita areia e os carros estarem muito pesados eles não conseguiam andar sozinhos, atolavam com frequência. Foi aí que eles começaram a penar, porque uns tinham de sair dos carros para empurrar, enquanto outros dirigiam, e isso foi assim por uns quinhentos metros com cada carro, ou seja, empurravam um, depois voltavam pra empurrar o outro.
O episódio se deu em vários trechos e, para percorrerem poucos quilômetros, gastaram várias horas. Quando o dia estava amanhecendo, chegaram na tal fazenda.
O caseiro estava tirando leite para fazer um pequeno queijo, e o restante do leite era para subsistência e tratar dos cachorros. Era uma casa simples e sem energia elétrica; utilizavam lamparina para iluminar a casa. Aquele senhor e sua esposa eram sorridentes, alegres e muito prestativos, fato que os marcou.
Conversaram com ele um pouquinho e seguiram para o ponto onde a canoa estava. Ao chegarem ao local, enquanto três deles desciam tudo dos carros, os outros dois foram buscar a canoa e colocar o motor nela. Mesmo sabendo que o dia desfavorece a pescaria, os peixes com fisga acabaram levando, pois, uma pessoa precavida vale por duas. Colocaram a canoa na água, instalaram o motor e seguiram navegando em uma vereda por uns 80 metros até chegar ao rio.
O rio Carinhanha, naquele ponto, não é grande, porém tinha a água tão límpida que dava para ver o fundo de cascalho e de areia fina. Viam muitas piabas, timburés e piaus em abundância, nadando por todos lados. De início eles estavam apenas testando o motor, porém por sorte avistaram um trairão encostado perto de um tronco de árvore e eles o capturaram.
Ao chegarem com aquela traíra de uns 5 quilos, todos ficaram animados, por saberem que, se durante o dia conseguiram pescar um peixe daqueles, quanto mais a noite. Era uma traíra amarelada, diferente das que eles conheciam. Devido ao rio ter muita areia e cascalho, elas desenvolveram uma coloração mais clara. Preparam a traíra e fizeram ela toda ao molho para o café da manhã. Antes mesmo de terminarem o molho, alguns começaram a beber cerveja.
Enquanto eles limpavam o peixe, avistaram na vereda, naquela água límpida, muitas piabas e piaus. Os dois amigos resolveram pescar de anzol, só que não tinham levado iscas. Pretendiam arrancar minhocas no barranco do rio próximo à vereda. Visando uma pescaria rápida, resolveram picar um pedaço de carne de vaca em pedacinhos bem pequenos e tentar a sorte.
Cada vez que jogavam a isca dentro da água, pegavam um peixe. Fisgaram muitas piabas do rabo vermelho e alguns piaus. Resolveram mudar de lugar. Ao chegarem a um poço maior, viram que tinha muitos piau-três-pintas de tamanhos variados. Novamente jogaram o anzol na água e começaram a fisgar piaus com mais de um palmo de tamanho, um após o outro. Em menos de três horas conseguiram pegar um balde de 20 litros quase cheio, e pararam.
Mais tarde, limparam e prepararam todos aqueles peixes, temperaram alguns e fizeram aquela fritada.
Lembre-se de que era sexta-feira da paixão, naquela região estava muito quente, e eles transpiravam muito. No entanto, aquele calor todo não os incomodava, porque estavam adorando a pescaria à beira do rio e na vereda. Já tinham esquecido o quanto penaram, empurrando os carros na chegada até ali, e nem pensavam no retorno.
Após anoitecer, três dos amigos foram pescar de cilibrim e fisga. No início, eles pegaram algumas bicudas (curimatãs), depois resolveram deixar de pegá-las por estarem encontrando muitas traíras, enquanto subiam o rio. Os outros dois amigos ficaram se esbaldando no acampamento de tanto comerem peixes fritos e de tomar cervejas.
Lá pelas três e meia da madrugada, os amigos que estavam pescando retornaram para o acampamento e acordaram os outros pra ajudar a limpar os peixes e colocá-los no gelo. Ao verem a quantidade de traíras que tinham sido pescadas, um deles perguntou:
— Só tem traíra nesse rio?
— Claro que não, porém, por ser um peixe muito saboroso e a maioria delas terem de dois a cinco quilos, resolvemos pegá-las, em vez de bicudas ou piaus. Chegaram a pegar dois pacus e poucas bicudas, mas a maioria foram traíras grandes que deram para encher uma caixa de 170 litros de isopor.
Ainda bem que pegaram aquele tanto de peixes na primeira noite, porque nos outros dias começou a chover durante a tarde e a noite e não tiveram mais como pescar de fisga.
Pela manhã, os que gostavam de pescar de anzol continuaram pegando piabas e piaus na vereda e no rio. Também beberam bastante cerveja para alegrar a estadia naquele paraíso que parecia ter sido extraído do livro “Grande sertão: veredas”, de João Guimarães Rosa. Uma paisagem linda, e ao mesmo tempo, um mergulho nas cruezas que o livro apresenta, foi o que me disse o amigo que me narrou essa história.
Aquelas veredas, emergindo e cortando o sertão afora, dando aquele caráter de que estavam vivendo ali há mais de cinquenta anos, sem energia elétrica, e ficando muitos meses sem ir ao povoado mais próximo, conforme dissera a eles aquele caseiro. Porém, feliz e de bem com a vida, sempre com um sorriso estampado no rosto, chamava-se Dimas, um homem simples que vivia isolado ali apenas com a esposa. Bastava conversar com ele alguns minutos, e se tinha um aprendizado de vida enorme.
Ao se ver a simplicidade e alegria do casal, sempre prestativos e com o sorriso estampado na cara, os amigos chegaram a comentar:
— O que é necessário para se viver bem e ser feliz daquele tanto?
Nesse instante as mentes devaneiam e começam a fazer várias indagações, tais como: O que é necessário para ser feliz? Se for dinheiro, porque muitos têm e não são felizes? Se for conforto, bem, ali definitivamente a noção de conforto era bem outra. Aquele casal não apenas viviam com o mínimo, eles aparentam ser muito felizes.
Partindo desse princípio, pode-se pensar que a felicidade é aceitar a vida como ela é. Ir-se vivendo como se estivesse em um barco à deriva, curtindo cada momento como se ele fosse o último. Talvez seja isso, e só. O que soaria limitante para nós seres humanos que somos expansivos. Mas, a felicidade pode ser um estado de espírito, pois aquele casal vivia como se estivessem em um oásis, gratos sempre pelos benefícios da natureza crua. De algum modo, eles vivendo isolados naquele sertão, cortado por algumas veredas, eram os senhores do lugar. E isso pode elevar a análise ao mais básico do ser humano, resumindo aquele lindo casal feliz ao arquétipo comum de “os poderosos do lugar”; o paraíso era governado por eles e somente eles.
Esses devaneios podem nos levar, inclusive, ao pensamento de que aquele casal não sente falta de outras realidades, porque eles sempre vivenciaram aquela, e não têm como sentir falta do que nunca tiveram. Senhores de sua versão de mundo, portanto. Ter um mundo só seu, com visitantes aleatórios e temporários, deve mesmo causar alguma felicidade. Mas, não teria essa felicidade apenas o decurso de cada estadia de cada visitante, indo-se embora quando esses partissem? A felicidade estava no lugar ou em quem chegava e era uma novidade? Como o casal ficaria depois, na rotina diária, um pelo outro? Seriam mesmo felizes quando a poeira dos carros assentasse?
Estou narrando esses fatos, por eles terem incomodado profundamente aquele pescador. Ele teria feito essa reflexão sobre o casal e depois sobre si mesmo e a realidade que existia fora daquele lugar. O que para ele e os amigos não passava de uma aventura, era a vida nua e crua daquele casal, talvez para sempre.
O retorno foi inevitável, e ele já via uma certa tristeza se firmando no lugar no momento da despedida. Estava certo, nem tudo era felicidade constante. Um pouco pertencia ao lugar, outro pouco a quem chegava. A partida gerava desconforto a ambos os lados. Despediram-se e pegaram a estrada.
Conforme o previsto, empurraram os carros na volta do mesmo jeito que empurraram na ida. O veículo Pampa não tinha som, mas o carro de passeio tinha um porta CD cheio. Contudo, a esposa do dono desse carro tirara os CD’s do carro e não dissera a ele. Ficara somente um CD, de Bruno & Marrone, inserido no som, com a música “Dormi na praça”, lançado em 2000, e tocou aquela música tantas vezes, durante quatro dias, que nenhum deles aguentava mais ouvi-la.
Alguns anos depois, três daqueles pescadores retornaram ao local. Contaram que pessoas do movimento Sem-terras invadiram uma fazenda do outro lado do rio e com o tempo, praticamente acabaram com os peixes da região. Mais um local que o homem conseguiu destruir em pouco tempo!


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Encontro da Literatura de Cordel no Distrito Federal


A Superintendência do Iphan no Distrito Federal convida todos/as os/as cordelistas de Brasília para participar do 1º Encontro da Literatura de Cordel do DF.
O objetivo do Encontro é conhecer o universo de praticantes desse Bem Cultural no DF e Entorno e, em conjunto, pensar em ações futuras para a preservação e o fomento da Literatura de Cordel.

Nos encontramos no dia 26 de novembro de 2019, às 14h, na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SEPS - Quadra 713/913 - Bloco D)

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3 de outubro de 2019

Feira do Livro de Camaquã - RS

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Feira do Livro de Veranópolis - RS

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livro Otimistas incorrigíveis

Descrição do livro Otimistas incorrigíveis:  Ser otimista é parte da personalidade de todo
brasileiro. Mesmo o brasileiro mais pessimista, traz consigo alguma dose de otimismo. O livro Otimistas Incorrigíveis harmoniza vários escritores em volta de um mesmo tema, que é a esperança. De diferentes vertentes, cada escritor dá provas desse otimismo, impregnado ao eu de cada brasileiro. Embora os textos sejam de tipologias diferentes e enfoquem óticas diversas, é interessante notar que, não obstante hajam problemas de toda sorte neste país, e a máquina administrativa governamental esteja rota, a esperança dá às caras: uns brasileiros fazem trabalhos de formiguinhas para melhorar o espaço ao seu redor, e outros vão às ruas pedir moralidade. Isso é ser otimistas incorrigíveis, com muito orgulho e com muito amor!

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28 de setembro de 2019

Pescador de Histórias, Rogério Corrêa


Sinopse do livro Pescador de Histórias: Quando se fala em pescadores e caçadores muitos pensam que eles incrementam as suas histórias, que são mentirosos ou que inventam certas situações para contar vantagem. Admito que alguns causos que ouvi são difíceis de acreditar, porém, alguns episódios estranhos já aconteceram comigo, e, se eu os contasse, algumas pessoas poderiam duvidar ou dizer que são “histórias de pescador”. Enfim, para fazer este trabalho foram entrevistadas pessoas de vários locais, no intuito de que seus causos inusitados fossem repassados para você e futuras gerações. Também falarei sobre a importância da preservação do meio ambiente, a pesca e a caça no Brasil.

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23 de setembro de 2019

Crônicas de minha vida nada sã, de Maria Montillarez




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Trecho do livro "Histórias do Além (assombrações, experiências sobrenaturais, visagens, tesouros, ...)", de Rogério Corrêa

Trecho do livro "Histórias do Além (assombrações, experiências sobrenaturais, visagens, tesouros, ...)", de Rogério Corrêa:
- Casebre mal-assombrado
Na sede velha da fazenda Claro de Minas já aconteceram muitas coisas estranhas.O finado Jair contou que testemunhou um dia em que algumas pessoas espíritas desenterraram um pequeno tesouro perto do velho casebre.
Aconteceram muitas coisas estranhas naquela noite, viram dicoques[1] do tamanho de uma bacia, um gato preto dos olhos vermelhos e do rabo muito grosso, além do aparecimento de marimbondos.
Zé Raimundo contou que morava na tal casa de fazenda do senhor José, seu compadre, e presenciou um casal de baianos que morava em Belo Horizonte e havia sido contratado para tirar as coisas esquisitas dali, falharem. Assim como outros, como se verá adiante. No caso dos baianos, um bicho prendeu as pernas do homem atrás da cabeça dele, e a coisa foi feia. Somente com muito sacrifício foi que as pernas do homem voltaram para o lugar.
Em outra ocasião chamaram uma mulher para “fazer o trabalho” de tentar retirar as assombrações do lugar. A mulher começou a falar coisas incompreensíveis, e andar com as mãos em lugar dos pés. Às vezes, andava apenas em uma das mãos dentro da casa. Foi um peteco só.
Já era bem tarde da noite, e o Zé Raimundo e a esposa dele não queriam dormir no local, então resolveram ir para Vazante.
No entanto, as pessoas contratadas pediram para ninguém ir enquanto não concluíssem todo o trabalho, caso contrário poderia acontecer alguma coisa no caminho.
As recomendações foram atendidas, aguardaram dentro do carro. Quando era de madrugada, acordaram e avistaram um homem estranho passando próximo ao carro e desaparecer em seguida. Isso não o impressionou, pois podia ser uma pessoa qualquer passando por ali naquele horário. Porém, criou coragem de ir embora para a cidade, mesmo correndo o perigo de o bicho jogar eles dentro de uma ponte ou coisa parecida.
Não aconteceu nada e também não resolveram o problema.
Novamente trouxeram ajuda com outra pessoa do ramo, outra mulher. Ela chegou na fazenda por volta de meio-dia. Pouco tempo depois ela disse que a coisa estava debaixo de um pé de manga. Mal falou isso e levou uma queda bruta que a virou de pés pra cima, ela se esborrachou no chão.
Ao se levantar, a mulher estava com uma voz estranha e falando coisas esquisitas, braba como uma onça raivosa, falando que iria pegar um da família. Nessa hora o homem que acompanhava a mulher pediu para ajudá-lo a segurá-la. A mulher passou a mão em um trancelim de ouro e o trancelim se despedaçou em muitos pedaços.
Continuava espumando a boca e falando coisas do outro mundo, coisas que ninguém entendia. O marido da mulher pediu ajuda. Ele era mais jovem, naquela época, tinha muita força. Foi em direção à mulher e deu uma cacetada nas costas dela, com as próprias mãos. Ele pensou que ela iria cair de bruços devido à forte pancada, só que a coisa deu uma cambalhota e caiu de costas, e continuou falando coisas estranhas.
Novamente o marido da mulher pediu ajuda, no sentido de irem buscar outro cidadão também dedicado ao mundo espiritual para ajudá-los a resolver o caso.
Zé Raimundo não quis saber de ir buscar o outro homem na cidade, entregou as chaves para ele e pediu que entregassem o carro no outro dia.
Pensou que não receberia o carro inteiro. No outro dia entregaram o carro do mesmo jeito que antes e foi informado que não deram conta de resolver o caso.
Se antes não tinha medo, a partir daí começou a ficar com muito receio da coisa. Por respeito ao proprietário da fazenda, apesar dos bons motivos para se mudar de lá, sempre era convencido a não o fazer, porque se se mudasse, nenhuma outra pessoa moraria lá.
Passados alguns dias, acordou durante a noite e sentiu um grande arruaço e ouviu uma voz grossa dentro do quarto escuro. Ele perguntou:
― Quem está aí? O que você quer?
E a coisa respondeu:
― A partir de agora, é eu, ocê ou um túmulo.
Naquela hora ele falou para a coisa que não queria nada de túmulo ou de coisa nenhuma, só queria sair dali.
Chamou a esposa, mas, ela não acordava de jeito nenhum. Depois de muita insistência, conseguiu despertá-la. Contou o que tinha acontecido e informou que iam para a cidade naquela hora (pouco mais de meia-noite). Era só o tempo de vestirem as roupas e pegar uma lamparina[2] para levar até o carro.
Zé Raimundo ficou com tanto medo que chegou a pensar que a coisa iria pegar eles no caminho e cortar o farol do carro. Por isso, tinha de levar uma lamparina.
Entrou no seu fusca e seguiu viagem muito preocupado e ainda assombrado. No caminho não aconteceu nada, porém, quando entrou na cidade, perto onde é o atual Fórum de Justiça, virou para à direita, na rua que atualmente fica a Delegacia de Polícia Civil. A coisa deu uma chicotada no carro, na parte traseira, fez um barulhão, parecia um tiro, de tão alto. Olhou pelo retrovisor e, dos lados, não viu nada. Perdeu a coragem de parar na delegacia e acelerou. Ao chegar na fazenda de seu patrão, não quis acordá-lo. Dormiram na casa próxima, onde a sua mãe morava.
Quando o dia amanheceu, o senhor José avistou o carro, e então foi cumprimentar seu compadre.
― Bom dia, compadre.
― Bom dia.
― O que aconteceu para estar aqui tão cedo? ― Ele perguntou.
Zé Raimundo contou tudo ao patrão, o compadre senhor José, e informou que não voltaria mais àquela casa.
Nessa hora o senhor José colocou as mãos na cabeça e suplicou:
― Meu compadre, pelo amor de Deus, não deixa a casa, porque se o senhor sair de lá, outra pessoa não permanecerá na casa.
― Compadre, dessa vez não tem volta, está decidido, não durmo lá nunca mais.
― Não tem volta mesmo?
― Não, compadre, eu lamento.
Zé Virgílio ficou calado por algum tempo, depois falou:
― O senhor vai ter que voltar lá agora para tirar o leite e levar sal para o gado.
Senhor José era muito sistemático, e por eles darem muito certo, resolveu fazer o solicitado. Quando já estava perto da fazenda, em uma reta, uns cento e poucos metros da casa, a coisa ruim pegou um dos lados do carro e levantou para o alto, se levantasse mais um pouco ele virava. Ficou com tanto medo que só lembrou de pedir proteção à Nossa Senhora, e, então, o cramulhão soltou o fusca e deu aquele solavanco que quase o despedaçou.
Zé Raimundo conta que olhou para os lados e não viu nada. Naquele momento ele se tremia todo, e o medo era demais. A parte da estrada em que ele estava era um lugar tão reto, e sem mais nem menos o trem fez aquilo com o carro!
Terminou de chegar na casa, porém, não entrou dentro dela. Zé Raimundo estava meio desorientado, parecia um tanto ruim da cabeça. Mesmo daquele jeito, tirou o leite, fez os queijos, colocou sal nos cochos e retornou para a fazenda do patrão.
Ficou tão descabreado com aquele lugar assombrado, que acabou esquecendo até o cachorro que ele mais gostava. Nos outros dias ele não retornou à fazenda, o senhor José tinha arrumado outro peão para tirar o leite e fazer os queijos.
Passados alguns dias, Zé Raimundo se lembrou de que tinha de voltar lá para buscar o cachorro, caso contrário, o cachorro morreria de fome.
Dessa vez foram a cavalo, levando um cachorro preto da irmã dele, o corta-ferro, e mais dois homens.
Olharam o gado, e, quando estavam passando perto do cemitério, veio um carro e atropelou o cachorro corta-ferro. O bichinho morreu na hora. O meu cachorro foi levado amarrado para não fugir.
Se é ou não coincidência, Zé Raimundo disse que evita pensar naquilo.
Alguns dias depois, voltou lá para mostrar a propriedade para o Baltazar, e o Baltazar disse a ele:
― Zé Raimundo você é mole demais, sô! Da dondejá se viu isso? Se aparecer algo aqui, irei amarrar ele pelo saco.
Zé Raimundo desejou boa sorte, ao Baltazar, explicando que não teve coragem de permanecer ali.
Poucos dias depois de ele sair da casa, o Baltazar bebeu uma enorme quantidade de veneno Furadan[3], e de acordo com os conhecidos dele, fez até um buraco na cacunda.
Ficou-se sabendo também, pela boca dos outros, que logo após o Baltazar ter bebido veneno, foi em direção aos seus amigos e falou que tinha bebido uma coisa e ia morrer, só que não queria morrer de jeito nenhum, mas, ia morrer de todo jeito. E morreu de fato.
Zé Raimundo acha que foram as bobeiras que o sujeito falou que provocaram a sua morte.
Após essa tragédia o senhor José convidou um padre para uma celebração na fazenda assobrada. No dia da missa, além dos muitos convidados e familiares, estavam presentes junto com eles um pai de santo de outra cidade, para resguardar o padre, caso acontecesse algo com ele.
Apenas senhor José e a esposa dele tinham conhecimento do fato. Depois do ato ecumênico, nunca mais teve algo diferente na fazenda. Foram muitos os moradores e nenhum deles reclamou de assombração.
[1] Sapo bem grande conhecido popularmente como cururu.
[2] Lamparina é um objeto cônico de latão onde se derrama querosene que molha um cordão que serve de pavio para colocar fogo e iluminar o local. Lamparinas eram usadas principalmente onde não possuiam energia elétrica. Atualmente são poucas as localidades que as usam.
[3] Furadan é um veneno fortíssimo e perigoso. Inclusive existem vários relatos de pessoas perderem a vida após a sua ingestão.

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18 de setembro de 2019

Lançamento do livro A filha de minha mulher, de Maria Montillarez na versão digital


Sinopse do livro A filha de minha mulher, de Maria Montillarez: Filho de portugueses, Noel César, que tem o relacionamento rompido com os pais por querer viver definitivamente no Brasil, tem baixa resistência à mudanças. Porém, ao casar-se com Marisa, diretora da sucursal de uma multinacional de cosméticos, a Gourmetic do Brasil, se vê compelido a mudar-se de Brasília para São Paulo e recomeçar, por amor a sua esposa.
Marisa tem uma filha do primeiro casamento, este rompido sob o pretexto de traição. A filha de Marisa, Rafaela, então com dez anos, perde o pai para o câncer, mas a mãe, esta, Rafaela nunca tivera de fato, porque a vaidade e a futilidade eram mais importantes para Marisa do que a maternidade. Um acidente aéreo tornou a ausência da mãe definitiva.
A morte de Marisa que fez de Rafaela órfã, agora de ambos os pais, deu a Noel César direito tutelar. Dignamente, mas enlutado, ele cumpria seu papel.
O papel de pai pode ser ilimitado. O de tutor fica a critério judicial. Mas para Noel César, o amor à Marisa era quem balisava o processo dessa tutela. Todo o resto não passava de mera formalidade.
Atendendo um desejo que Marisa tinha, Rafaela foi estudar na Irlanda, onde viveu até os 21 anos de idade, sempre sob tutela e largos cuidados de Noel César. Mas essa tutela e cuidados não poderiam ser nomeados de presença física. Foram seis longos anos de saudades e de muito amor recônditos para ela. A volta para o Brasil aconteceu sob muitas expectativas.
No aeroporto de São Paulo não encontrou Noel César. Apenas sua família de parte da falecida mãe, sempre presentes em sua vida. Contudo, não eram Noel. Ele cuidara dela, de tudo para ela, da quilha, mas, não estava ali.
Assim transcorreu mais um ano, e Noel César apenas dera por encerrado seu papel de tutor, deixando claro que agora ambos deveriam seguir suas vidas. Uki, a empregada que estava com ela desde sua infância, mencionara que Noel César agora tinha uma companheira, Tatiana. Rafaela se sentiu intimidada, além da já tão ruim e truncada comunicação que vinha existindo entre ela e Noel César, desde Dublin. E para não viver só, ela se envolvera com Marcus, um machão quatrocentista de São Paulo. A esperança dela de reencontrar Noel César era no aniversário dela de 22 anos. Noel César jamais deixara de se manifestar em seus aniversários. Será que ele finalmente apareceria e poriam diálogos emocionais em dia? Ela sentia que seu coração não sobreviveria além daquele aniversário sem conversar com ele, seu norte. Tinham em comum sua mãe morta, sua sobrevida, seu ar... Seu tio Eduardo lhe dissera: Você é o reflexo de Marisa. Se parece demais com ela, e é a Marisa intocável em você que Noel evita. Não é a Rafaela. Entendeu? Você se parece mais com ela, a cada dia. Por isso, todos nós entendemos e admiramos o que Noel sente e como procede, respeitosamente, em relação a você.
Noel César está diante de um dilema moral. Rafaela é como se fosse sua filha. Mas não é. De todo modo, em seu denso caráter ilibado jamais olharia para A filha de sua mulher com olhos de cobiça olhos. Porém, ela está apaixonada. Ele sente. Não sabe. A família dela sabe. Marisa sabia. Está dado o nó.


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